A FORÇA DA CIDADANIA:   POR FARO, ALGARVE E PORTUGAL

- PORTAGENS: AGRAVAMENTO DA SAZONALIDADE DO ALGARVE, DESCAPITALIZAÇÃO E CRISE SOCIAL, PELO "VIRAR DE COSTAS" DOS ESPANHÓIS.

- ESTUDO DA ALIANÇA " SALVAR FARO", CONCLUIU QUE VEICULOS ESPANHÓIS TIVERAM FORTE REDUÇÃO. 

-QUEBRA NO TRÁFEGO/PASSAGENS NA PONTE DO GUADIANA FOI DE 5,5 MILHÕES, ENTRE 2012/2014.

 

Pelo periferismo e estrutura económica, o Algarve é uma região com forte sazonalidade (apenas dois a três meses em funcionamento pleno) e que sofre uma intensa e continuada descapitalização pelos grupos económicos com sedes sociais fora da região. É uma situação muito complexa que exige correção dos desequilíbrios estruturais, com infraestruturas vitais (ligação ferroviária a Espanha e outras) e reforço e diversificação do tecido produtivo, com captação de investimentos, conforme Plano e propostas que a Aliança Cívica tem feito.

Exigem-se elevados níveis de consumo pelos visitantes portugueses e estrangeiros para injetar capital, com especial significado para os espanhóis de Andaluzia, mais de oito milhões nossos vizinhos e amigos que adoram o Algarve. Até à introdução das portagens, em dezembro de 2011, os excursionistas andaluzes (conceito usado para os visitantes que não pernoitam) assumiram um papel equilibrador determinante com fluxos diários e gastos médios per capita elevados em quase toda a região, sobretudo na restauração, cafés ou bares, comércio e equipamentos de animação e lazer.

Foi perante este cenário estrutural macroeconómico e social que na quadra festiva agora terminada (Natal, Ano Novo e Reis) a Aliança "Salvar Faro" fez um estudo para avaliação dos fluxos de espanhóis para o Algarve.

Como síntese, concluiu-se que, por causa das portagens, os espanhóis nos viraram as costas, agravando-se dramaticamente os problemas da sazonalidade, descapitalização regional e crise social. E daqui decorre que para o Algarve é uma questão de sobrevivência com padrões dignos, pelo que o Governo e a União Europeia têm que resolver o autêntico "muro de Berlim" que as portagens representam para a região e também para Andaluzia.

Estas conclusões têm suporte quantitativo e na observação direta feita em várias zonas do  Algarve. Tanto na Via do Infante como na EN125 e localidades que servem, onde antes eram muitas as viaturas de matrícula espanhola, agora a sua frequência é baixa. Apenas é menos gravosa ( mas também má) no extremo sotavento, na zona confinante com Espanha ,em que não se paga portagens.

Os números atestam o colapso. No conjunto dos três anos pós portagens, a redução total do tráfego/passagens no sublanço Castro Marim/Ponte do Guadiana rondará os 5,5 milhões. Em termos anuais, as passagens registaram uma quebra brutal de 4,1 milhões em 2011 para um número estimado que não ultrapassará os 2,3 milhões em 2014. É ainda de referir que, de entre os 19 sublanços da Via do Infante, este foi o que teve menor acréscimo, praticamente estagnando (+ 2%). É um tráfego que não respeita apenas a espanhóis, mas é o sublanço onde melhor se tem a noção da enorme quebra.

A confirmação da baixa frequência de viaturas de matrícula espanhola na região é também feita pela elevada percentagem das viaturas vindas de Espanha que depois de entrarem na Via do Infante saem na direção Vila Real/ C.Marim, onde não se paga portagem (75 %, segundo amostragem apurada pela Aliança num dos feriados do final do ano). Outros saem em Montegordo/Altura (também não se paga) e ainda outros seguem mas não ficam no Algarve, virando na A2 para Lisboa.

Tudo isto é devastador e concreto, não podendo os poderes continuar a encolher os ombros como se nada se passasse.

 

Cumprimentos

7.1.2015

Comissão Executiva da Aliança Cívica "Salvar Faro, com Coração"